Transplantes de Órgãos e Tecidos

transplanteÉ chamado de transplante de órgãos e tecidos o procedimento cirúrgico que busca retirar um órgão ou tecido (ou parte deles) de um indivíduo (o doador) para os realocar em outra pessoa que esteja necessitando (o receptor). Em certos casos - nos transplantes de tecidos - o individuo que doa pode ser o próprio receptor.  
A doação é um princípio de imensa solidariedade que atinge de maneira significativa toda a sociedade. Através dos transplantes pode-se ajudar diversas pessoas que estão em situação de doença e encontram-se em um angustiante estado de espera por um órgão ou tecido essencial ao funcionamento do corpo humano.
No Brasil as filas de espera por um transplante são enormes; muitas pessoas não agüentam a espera e acabam falecendo. Além dos óbvios benefícios à pessoa que recebe o órgão, certas pesquisas indicam que as famílias dos doares e os próprios doadores (hoje em dia é possível a doação em vida) têm uma significativa melhora na auto-estima após a realização da doação. Um único doador pode salvar ou melhorar até 25 vidas.
Qualquer pessoa que precise de transplante tem o direito de ser atendida pelo Sistema Único de Saúde, de ser preparada física e psicologicamente para o tratamento e de ser respeitada e tratada em suas condições. O Direito à Saúde é garantido pela Constituição Federal e não deve, de forma alguma, ser negado. Clique aqui para saber mais sobre o Direito à Saúde em caso de transplante e suas diferentes esferas de atuação.

 

Clique aqui para conhecer alguns sites que fornecem importantes e detalhadas informações sobre Transplantes de Órgãos e Tecidos e Clique aqui para ler as perguntas mais freqüentes sobre Doação. Não deixe de se informar sobre o Sistema Nacional de Transplantes.

 

A doação

A doação após a morte não viola o corpo do doador. Sua aparência física é preservada e a pessoa é respeitada nos devidos termos clínicos e humanos (esse é um direito que consta na Constituição Federal). Nesses casos, a doação ocorre após a confirmação da morte cerebral. A morte cerebral é um estágio que levará certamente à parada da respiração e batimentos cardíacos. Tais funções podem continuar funcionando por um curto período de tempo - muitas vezes por ajuda artificial - todavia a pessoa já se encontra em iminente estado de morte. A morte cerebral não é igual ao coma: o estado de coma pode ser reversível, a morte encefálica não.
É essencial que a doação ocorra enquanto ainda há irrigação sanguínea, caso contrário muitos órgãos não podem ser aproveitados e muitas vidas são perdidas. Por isso é tão importante autorizar a doação logo depois da confirmação da morte encefálica. Esta deve ser atenciosamente comprovada através de repetidos exames neurológicos e outros exames complementares, como um eletroencefalograma ou arteriografia. Esses testes só podem ser feitos por médicos que não sejam da equipe de captação e transplante.
Apenas depois da constatação da morte encefálica e de todas as tentativas de ressuscitação terem sido realizadas que se pode analisar a questão acerca de um possível transplante. Os médicos têm obrigação de se esforçar ao máximo para salvar o paciente. Para haver doação pós-morte há os seguintes requisitos: ter a identificação e o registro hospitalar do paciente, ter conhecimento da causa da morte, não apresentar temperatura abaixo de 35 graus, não haver no organismo drogas depressoras do Sistema Nervoso Central e não haver hipotensão arterial.
O momento da morte de um ente querido é extremamente delicado e deve ser respeitado. Os médicos têm o dever de explicar claramente que a morte cerebral significa o falecimento daquela pessoa mesmo que ainda haja batimentos cardíacos e respiração. Ninguém pode obrigar uma família a doar os órgãos da pessoa falecida, todavia é de extrema importância a família ter consciência de como esse ato é essencial para salvar a vida de terceiros.

 

ATENÇÃO: Um dos fatores mais importantes relacionados à doação de órgãos e tecidos é o princípio da gratuidade. Em hipótese alguma a doação pode ser influenciada por fatores econômicos, seja no caso de doação pós-morte ou no caso de doação em vida. Tal ato é crime e atenta de maneira direta à dignidade humana e ao ideal de doação de órgãos sem discriminações. O tráfico de órgãos deve ser urgentemente denunciado.

 

Como ser um doador e permitir uma doação

Em casos de doação após a morte, as famílias são responsáveis por decidir se haverá ou não doação. Por isso quem quer ser um doador deve conversar com os familiares e deixar claro que em situação de morte deseja que seus órgãos e tecidos sejam doados para salvar e melhorar a qualidade de vida de terceiros. Não é necessário deixar documentos por escrito, apenas se assegurar de que a família entenda o desejo de doação. Os familiares devem garantir que autorizarão o procedimento após a confirmação da morte cerebral.
As filas de transplantes são imensas para todos os conjuntos sociais, entretanto são muito maiores para jovens. Autorizar a doação de órgãos e tecidos de crianças e adolescentes é um admirável ato de solidariedade que salva vidas que ainda estão começando e tem tudo para serem plenamente aproveitadas. Não se deve descartar a doação de órgãos e tecidos de pessoas idosas. O estado de saúde é mais importante do que a idade e quem avalia essa questão é a equipe médica.
A família não pode escolher quem será o receptor dos órgãos; essa escolha cabe à Central de Transplantes que leva em consideração compatibilidades físicas, gravidade da doença e tempo de espera. De qualquer forma (quem quer que seja o receptor) a certeza de que todos os esforços convergem para a melhoria de vidas já basta para estimular a conscientização acerca da importância da doação.
O avanço científico abriu portas para a possibilidade da transplantação em vida. Para ser doador nesse caso há a necessidade de compatibilidade sanguínea e de vários outros fatores clínicos que devem ser minuciosamente levados em consideração pelos médicos. A doação em vida requer que o órgão doado seja duplo (como o rim ou pulmão) ou tenha a capacidade de reconstituição (exemplo: o fígado) ou seja um tecido que ao ser transplantado não cause morte ou invalidação do doador (como a medula óssea). Clique aqui para saber o que é necessário para ser um doador em vida e quais órgãos podem ser doados.
A Lei Brasileira sobre transplantes não permite que a doação afete de maneira grave a qualidade de vida do doador. A pessoa que está disponibilizando-se para ser doadora deve ser parente do receptor até 4° grau e estar ciente de todas as implicações da transplantação. Em casos em que não há relação de parentesco, a doação também é possível, todavia necessita de uma autorização judicial que deve ser buscada o mais rápido possível.

 

Quem não pode ser um doador

Pacientes com insuficiência orgânica (por exemplo: insuficiência renal, hepática, pulmonar, medular, cardíaca, pancreática) e que tem órgãos e tecidos comprometidos pela doença não podem ser doadores, assim como pacientes com doenças transmissíveis (por exemplo: HIV, HTLV 1 e 2, Hepatite B e C, Doença de Chagas e etc) e com infecção generalizada e carência de diversos sistemas e órgãos. Pessoas com tumores malignos / neoplasia maligna (com exceção de tumores restritos ao sistema nervoso central, carcinoma basocelular e câncer de útero e doenças degenerativas crônicas) também não podem ser doadoras.

 

Tipos de Transplante

  • Transplante Autoplástico ou Autólogo: transplanta tecidos de um mesmo organismo de um lugar para o outro.
  • Transplante Heteroplástico: transplanta órgãos e tecidos de um organismo para outro.
  • Transplante Heterólogo: transplanta órgãos e tecidos de um organismo para outro organismo de espécie diferente (também chamado de Xenotransplatação).

Órgãos e Tecidos que podem ser doados

Pulmão, pâncreas, vasos sangüíneos, ossos, intestino, ossículos do ouvido, pele, coração, válvulas cardíacas, córneas, medula óssea, fígado, rins, tendões e meninge.

 

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